Eu não acho contraditório convidar alguém para uma cafeteria, mas não beber café. Não é só pelo fato delas hoje venderem até joelho ou pratos executivos – mesmo porque acho isso quase uma ofensa. A questão é que assim como o bar tem seu charme de agrupar os boêmios e cachaceiros, o café reúne os que são excêntricos até sóbrios. Vários cineastas já perceberam e aproveitaram bem esse cenário. Tenho dicas de três comédias europeias que podem ser facilmente alugadas em DVD e de três cafeterias cariocas que merecem uma visita. 

“O fabuloso destino de Amélie Poulain” é disparado o primeiro da lista. Esse é um dos meus filmes preferidos, que me conquistou ao falar do prazer nas pequenas coisas da vida. Amelie é uma jovem garçonete de Paris. Introspectiva e cativante, ela vive criando planos mirabolantes para fazer felizes seus amigos do café. Por um acaso, ela encontra uma caixinha de lembranças de criança escondida atrás da parede de seu banheiro e decide fazer de tudo para devolvê-la ao seu dono desconhecido. Vale ainda ressaltar que a fotografia é fascinante, com um colorido intenso e também a narração com um ritmo acelerado muito particular. Gosto bastante do compositor da trilha sonora, o Yann Tiersen, que foi o mesmo que fez a do filme alemão Good Bye, Lenin! Clique aqui para assistir ao trailer da Amélie Poulain.  

O pequeno prazer de quebrar a capinha do crème brûlée

Um dos atores da primeira sugestão, o figuraça Dominique Pinon, interpreta o dono do Café Rossignol, onde se passa o filme “La Luna En Botella”. A comédia dramática espanhola é bem recente, de 2007. Nela, um escritor de aluguel busca inspiração em um café com um frequentador mais louco do que o outro e também um burro – é, o animal mesmo. O dono era o homem forte do circo, a garçonete abandonou o noivo no altar, a vidente quase não tem clientes, outra funcionária não para de procurar namorado e por ai vai. Tem uma crítica genial à arte contemporânea, o teatro da cidade teria sido demolido e em seu lugar um escultor colocaria um ovo gigante. Toda a classe artística se junta para protestar na cena mais fascinante do filme. Clique aqui para conferir o trailer.
 
Em uma cafeteria de beira de estrada se passa o genial “Eu Sempre Quis Ser um Gângster” (J’ai toujours rêvé d’être un gangster). Devo avisar que é um filme francês com o ritmo um pouco mais lento do que os anteriores, preto e branco com influências de Godard e Jim Jarmusch (aliás, vale a pena assistir dele o “Coffee and Cigarettes”). São quatro história simultâneas: um ladrão que tenta roubar uma ladra, dois sequestradores amadores que capturam uma adolescente suicida, um compositor brega que plagia uma canção e cinco ladrões idosos que se reúnem para um último golpe. Trailer aqui.  

Ela assaltou o café mas já que o caixa estava vazio, virou garçonete

Sou adepta do chá e do cappucino, mas indico fortemente o “Café do Bom Cachaça da Boa”, que fica na rua da carioca, pertinho do metrô. Eles têm todas as frescuras necessárias com os grãos seletos de café e também com diversas marcas de cachaça de Minas e da Serra Fluminense. Lá tem também sorvete de dar água na boca, meu preferido é o de limão com merengue. Nos fundos tem um sebo com livros ótimos do Rio Antigo, um brechó com artesanato e bugingangas. 

Outra dica alternativa é um café dentro da livraria Largo das letras, em um casarão centenário de Santa Teresa. Além dos ótimos títulos, eles têm a lanches, pizza e até música ao vivo. Se você for, pegue o bonde até o Largo dos Guimarães e é logo em frente, sem erro. Mas vá de bonde, carro e ônibus nem se comparam. 

Por último, um café engomadinho para não dizerem que quero bancar a pseudo cult demais. O Cafeína é muito muito gostoso. Mas ele é mais no estilo “entre para tomar o expresso e saia 10kg mais gordo de tantos doces apetitosos”. Tem duas lojas em Copa, no Leblon, uma em Ipanema e uma nova na entrada do Botafogo Praia Shopping.  

Serviço
Café do Bom Cachaça da Boa
Endereço:
 Rua da Carioca, 10 – Centro.  Tel.: (21) 2509-1018.
Horário: 10h/20h (sáb. até 14h; fecha dom.) 

Café da Livraria Largo das letras
Endereço
: Av. Almirante Alexandrino, 501 – Largo dos Guimarães – Santa Teresa. Tel.: (21) 2221-8992.
Horário: terça a sábado 14h/22 h (dom. até 20h)
http://www.largodasletras.com.br/ 

Cafeína
Endereço
: Av. Ataulfo de Paiva, 1321 – Leblon. Tel.: (21) 2259-6288. Rua Farme de Amoedo, 43 – Ipanema. Tel.: (21) 2521-2194. Mais quatro outros endereços no site http://www.cafeina.biz

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  1. Eu adoro O fabuloso destino de Amélie Poulain. Não pela fotografia, não pelas falas e nem pelos atores. É pelo clima. Isso é o que me envolve no filme. Minha mente trabalha daquela forma e tudo passa daquela forma para mim. o verde e vermelho fortes da celeridade cotidiana. tudo nas coisas simples e miudas da vida. Nelas reside o grandioso, o megalomano. e assim..vivemos.

    Bem, eu costumo tomar café lá no Café Arlequim sempre. pela música, pelo café, pelos filmes e pelo ambiente histórico de lá. No entanto, eu não deveria opinar, sou suspeito. =)

  2. natassjaom disse:

    Oi, Erick! Legal te encontrar ao acaso no aterro fantasiado 🙂 O Arlequim realmente é ótimo, uma pena que o preço é tão salgado. Lá às vezes tem música ao vivo também, mas a próxima que estou sabendo é só dia 9/03, um duo de cravos. Mas tb gosto de ir p/ficar namorando especialmente os CDs.

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