Podem não ser os filmes com a maior bilheteria da história, como o Avatar – do qual não ousarei falar mal, porque admito ter adorado assistir em 3D – mas são clássicos do cinema nacional indispensáveis. Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, Brás Cubas, de Julio Bressane e Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade têm exibições gratuitas em fevereiro, no teatro Nelson Rodrigues. As sessões são seguidas de palestras e acontecem nos finais de semana. Já na terça-feira que vem (23/02), Carlos Manga fala da época de ouro da Atlântida Cinematográfica, com o sucesso das chanchadas da década de 50. O evento abre um ciclo de nove palestras com entrada franca no CCBB.

As projeções cinematográficas fazem parte da mostra-curso “A história da Filosofia em 40 filmes”, promovida pela Caixa Cultural desde o ano passado. Este é o último módulo, intitulado “O Cinema Nacional e a Interpretação do Brasil”. Com lacunas em obras filosóficas no País, selecionaram aqueles que consideraram importantes pensadores brasileiros, como Machado de Assis, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Mário de Andrade, Glauber Rocha, Leon Hirszman.

Esse sábado (20/02), Deus e o diabo na terra do sol poderá ser visto na telona. A obra prima de Glauber Rocha é um marco do Cinema Novo. Em pleno sertão nordestino, o vaqueiro Manuel vive na miséria com sua esposa Rosa. Quando tenta pegar sua parte dos lucros de uma partilha, um coronel oportunista tenta lhe passar a perna. Manuel se irrita e o mata numa briga, tendo que fugir com Rosa e se juntando a um grupo messiânico. A trilha sonoro é toda de nada menos que Villa-Lobos, sensacional. Tenho que avisar que é um filme em preto e branco, com descontinuidades, muitas referências à cultura de cordel e um ritmo particular que não é nada simples de acompanhar. É uma proposta estética específica de Glauber naquele contexto histórico. Nada do que estamos acostumados a ver hoje nos cinemas, mas uma chance imperdível.  Clique aqui para saber mais sobre o filme. Assista o trailer original:

Brás Cubas é o filme do sábado seguinte (27/02), baseado na deliciosa comédia  de Machado de Assis. É meu romance preferido do nosso grande mestre. Um morto conta suas memórias de amores e amizades, traçando um painel muito divertido da burguesia e política cariocas do final do século 19. A adaptação que vai ser exibida é de a 1985, de Julio Bressane. Assisti uma mais recente, de 2001, pelo diretor André Klotzel, com excelente atuação de Reginaldo Faria. Boa pedida para a locadora, eis o trailer:

A mostra-curso se encerra dia 28/02 com Macunaíma, mais um clássico da literatura nacional. O filme de 1969 é uma adaptação da obra de Mário de Andrade pelo cineasta de Joaquim Pedro de Andrade. É uma tentativa de explicar a pluralidade da cultura brasileira com humor e ironia. Macunaíma é um anti-herói: preguiçoso, safado e malandro, interpretado por ninguém menos que o Grande Otelo. Ele nasceu na selva e vira branco, passando para a pele do ator  Paulo José. Na fase adulta, deixa o sertão e apronta várias confusões na cidade, entrando pelo mundo marginal, na convivência com prostitutas, vadios, mendigos, ladrões e Cia.

O ciclo de palestras “Histórias do cinema em questão: As indústrias de sonhos” começa terça-feira que vem (23/02) no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e segue até junho. Especialistas como o documentarista Silvio Tendler, o jornalista Ruy Castro, os críticos Ely Azeredo, Susana Schild, Rodrigo Fonseca, entre outros, marcam presença. As palestras são ilustradas com cenas de filmes. O roteirista e diretor de cinema e tv Carlos Manga abre o evento abordando “Os anos dourados da Atlântida”, companhia cinematográfica carioca da qual participou na década de 50, dirigindo chanchadas de enorme sucesso, como Nem Sansão nem Dalila e Matar ou Correr.

A dupla Oscarito & Grande Otelo na paródia ao faroeste americano “Matar ou correr”

Serviço
Mostra-curso “A história da Filosofia em 40 filmes”

20/02 – Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha. Censura: 14 anos
27/02 – Brás Cubas, de Julio Bressane. Censura: 12 anos
28/02 – Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade. Censura: 12 anos
Local: Teatro Nelson Rodrigues. Av República do Chile, 230 – Centro.
Horário: das 10h30 às 14h
Preço: Grátis. Distribuição de senhas a partir de 10h
Sessões seguidas de palestras
Capacidade: 85 lugares. Acesso para cadeirantes
Mais informações no site da Caixa Cultural www.caixa.gov.br/caixacultural

Ciclo de palestras “Histórias do cinema em questão: As indústrias de sonhos”
Data: De 23 de fevereiro a 01 de junho, terças – 18h30
23/02 – Palestra “Os anos dourados da Atlântida”, com Carlos Manga
Local: Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB)/ Teatro I – Rua Primeiro de Março, 66 – Centro. Tel.: (21) 3808-2007
Classificação: Livre
Preço: Grátis. Distribuição de senhas 1 hora antes do evento
Mais informações no site do CCBB: http://bb.com.br/cultura

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Uma resposta »

  1. Eliza disse:

    E viva o cinema nacional!
    Excelente dica e excelente custo-benefício!
    bjs

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